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10 coisas que você precisa saber sobre bebês prematuros

A não ser que você tenha histórico anterior, uma gravidez de risco ou gemelar, é difícil pensar que pode acontecer de o bebê chegar antes da hora. Mas nenhuma gestante está isenta desse risco e, infelizmente, no Brasil isso é mais comum do que deveria. De acordo com a pesquisa Nascer no Brasil: Inquérito Nacional sobre Parto e Nascimento, nossa taxa de prematuridade é de 11,5%, quase duas vezes mais do que a observada em países europeus. Ou seja, precisamos, sim, falar sobre bebês prematuros. Confira a seguir 10 questões sobre o assunto:

1) O que é um bebê prematuro?

É todo recém-nascido que nasceu antes de 37 semanas de gestação (259 dias), ou seja, até 36 semanas e 6 dias de gravidez, de acordo com a definição da Organização Mundial de Saúde (OMS). O prematuro extremo é aquele que veio antes de 28 semanas de gestação. Outra classificação usada pelos especialistas é do peso ao nascer (independentemente da idade gestacional), subdividido da seguinte forma:
· Baixo peso ao nascer: menor que 2.500 g;
· Muito baixo peso: menor que 1.500 g;
· Muitíssimo baixo peso: menor que 1.000 g (os menores prematuros que se tem notícia que sobreviveram tinham cerca de 300 g)

2) O que pode levar a um parto prematuro?

Vários fatores de risco estão associados ao nascimento antes da hora, como história prévia de parto prematuro, gestação múltipla, malformações fetais, baixo nível socioeconômico, doença materna aguda ou crônica, alterações de coagulação maternas (trombofilias), infecção na mãe e fatores obstétricos, tais como malformações uterinas, placenta prévia e descolamento prematuro da placenta. As infecções maternas predominam como causa de nascimento prematuro entre 22 e 32 semanas de gestação, enquanto o estresse e a distensão uterina causada pela gemelaridade são predominantes entre 32 e 36 semanas de idade gestacional.

3) Como costumam ser as visitas no hospital?

Geralmente, a visitação é restringida aos pais, permitindo e incentivando o contato pele a pele sempre que as condições clínicas permitirem. Visitas de outros parentes, como avós e irmãos, devem ser mais restritas – mas cada hospital determina a rotina da UTI Neonatal. Se houver qualquer sinal de doença (gripe, febre etc.), as visitas devem ser proibidas. Alguns hospitais costumam determinar horários exclusivos para amamentação e pedem que os homens não entrem nesses períodos.

4) Qual a importância do contato pele a pele dos pais com o bebê?

A presença não apenas da mãe, que irá amamentar ou tirar o seu leite enquanto o filho ainda não mama sozinho, mas também do pai do prematuro é de extrema importância, pois garante um apoio fundamental à mãe e ao bebê. O método canguru ou “contato pele a pele” é um dos procedimentos que permitem isso, realizado de maneira orientada, por livre escolha da família e de forma crescente. Consistem, basicamente, em manter o bebê (no máximo com fralda) no peito descoberto dos pais.

As vantagens são o aumento do vínculo mãe-filho; redução do tempo de separação da mãe, evitando longos períodos sem estimulação sensorial; melhora da qualidade do desenvolvimento neurocomportamental e psico-afetivo; estímulo ao aleitamento materno; controle térmico adequado; diminuição do risco de infecção hospitalar; maior competência e confiança dos pais no manuseio do filho, inclusive após a alta hospitalar; melhora no relacionamento da família com a equipe de saúde; queda do estresse da mãe e do bebê; ganho de peso e de estatura mais adequados.

Vale salientar que o prematuro deve ter condições clínicas para esse contato, pois muitas vezes (principalmente o pré-termo extremo) está bastante instável nos primeiros dias de vida, não permitindo que seja retirado da incubadora.

5) O que é idade cronológica e idade corrigida?

Não dá para falar de crescimento e desenvolvimento de prematuros sem citar os termos “idade cronológica” e “idade corrigida”. A primeira é a idade real da criança, ou seja, o tempo de vida dela após o nascimento. Já a “idade corrigida” é ajustada ao grau de prematuridade do bebê comparada a de um bebê a termo (40 semanas), ou seja, quanto tempo ele teria se tivesse nascido na data prevista do parto, com 40 semanas de gestação. A idade de todo prematuro deve ser corrigida, uma vez que o desenvolvimento pode ser diferente do padrão típico de crianças nascidas com idade gestacional superior a 37 semanas que tenham a mesma idade cronológica.

6) A licença-maternidade já começa a contar?

Infelizmente, sim, o que muitas vezes prejudica a permanência da mãe junto ao bebê quando ele recebe alta. Pela lei atual, o tempo de afastamento do trabalho pela licença-maternidade – que é de no mínimo 120 dias e de no máximo 180 dias corridos –, é contado durante o tempo de internação do recém-nascido. Porém, existe um projeto de lei para extensão da licença em caso de nascimento prematuro para até 240 dias (PEC 181/2015), assim como um projeto de lei que prevê que o período de licença seja contado somente após a alta hospitalar do bebê (PLS 214/2017). Em casos isolados, a Justiça já entendeu que a licença deveria começar a contar a partir da saída do prematuro do hospital.

7) As vacinas vão ser dadas em épocas diferentes?

As vacinas costumam ser dadas de acordo com a idade cronológica, como qualquer outra criança, mas existem algumas particularidades. Por exemplo, a BCG, que normalmente é feita nos primeiros 30 dias, nos bebês prematuros aguarda-se que atinjam 2 quilos para ser aplicada. A vacina de hepatite B deve ser dada no esquema de 4 doses (0, 1, 2 e 6 meses) naqueles nascidos com menos de 33 semanas de idade gestacional ou com menos de 2 quilos. O pediatra de confiança deve orientar os pais quanto ao calendário de vacinação do prematuro.

Vale ressaltar a importância da profilaxia para o vírus sincicial respiratório, importante agente causador da bronquiolite, apesar de não ser uma vacina (é uma imunoglobulina). O Palivizumabe deve ser administrado no período de circulação do vírus, que ocorre entre os meses de janeiro a agosto no Brasil.

8) O prematuro será um bebê e uma criança mais frágil?

Não necessariamente. Vai depender muito da evolução no hospital durante os primeiros dias de vida e do grau de prematuridade ao nascer. Durante a sua estadia na UTI, o prematuro, principalmente o extremo, pode ter de passar por várias fases, com problemas pulmonares, cardíacos e cerebrais, podendo evoluir com certas sequelas que determinarão os cuidados futuros após a alta. Por nascerem com o sistema imunológico imaturo e vários órgãos ainda não preparados para funcionar plenamente, os prematuros são mais suscetíveis a situações como apneia, síndrome do desconforto respiratório, anemia, icterícia e retinopatia. Mas, na maioria dos casos, por volta dos 2 ou 3 anos ele já se iguala a uma criança nascida a termo.

9) Quais os primeiros cuidados em casa?

Quando os médicos liberam o bebê para casa, ele já está mais maduro e pronto para uma vida normal, a menos que existam sequelas graves. Dependendo do peso, pode ser necessário um controle da temperatura ambiente, pois tendem a ter hipotermia. A sugestão é manter o ambiente em torno de 24 a 25 graus e agasalhar um pouco mais que o habitual – mas tendo o cuidado para não superaquecer o bebê, que corre o risco de desidratar muito facilmente.

O ideal é evitar ambientes fechados e o contato com pessoas com qualquer sinal de infeção, mesmo parentes – vale pedir para que as visitas esperem um pouco mais para aparecer. É importante que todos da casa mantenham a vacinação contra coqueluche e gripe em dia para evitar que passem para o bebê. Geralmente, ele precisa de mais tempo para mamar, com certa dificuldade na alimentação tanto por mamadeira quanto no seio materno. Portanto, visitas ao pediatra devem ser agendadas logo após a alta para controle de peso e esclarecimento de dúvidas, que surgem aos montes!

10) Quais os cuidados com a pele superfrágil deste bebê?

Como tudo no prematuro, a pele ainda não está madura. É fina, sensível, mas os cuidados de higiene são os mesmos de uma criança nascida a termo – usar sabonete neutro só onde houver sujeira, cuidando para não ensaboar demais. Também é importante evitar loções, perfumes ou qualquer produto industrializado, não dar banho muito quente e dar preferência às roupas naturais de algodão. O pediatra pode indicar algum creme hidratante específico ou pomada protetora de assadura conforme a necessidade.

Fontes consultadas: Amanda Martins, pediatra do Grupo Perinatal, do Rio de Janeiro (RJ); Arno Norberto Warth, pediatra da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, de São Paulo (SP); e Luiz Renato Valério, pediatra da UTI neonatal do Hospital Pequeno Príncipe, de Curitiba (PR).

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