Abraçar seu bebê só faz bem - Mais Abraços
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Abraçar seu bebê só faz bem

“Colo demais vai estragar a criança!”. “Assim o bebê ficar mal-acostumado com tanto dengo”. “Nossa, como ele é mimado, não desgruda de você!”. Palpites desse tipo não faltam, mas há evidências científicas para deixá-los de escanteio. Uma pesquisa realizada pela Associação Canadense de Centros de Saúde Pediátricos, que sistematizou mais de 600 estudos científicos sobre os benefícios do toque para bebês, não deixa dúvidas: o carinho e o contato pele a pele podem ter um impacto concreto e superpositivo na saúde das crianças.

De acordo com as pesquisas analisadas, abraçar, afagar e dar colo para o bebê pode ajudar a diminuir os batimentos cardíacos, reduzir a pressão arterial, estabilizar a temperatura corporal, melhorar o sono, reduzir dores, fortalecer o sistema imunológico e ajudar no desenvolvimento cerebral dos pequenos. “O toque adequado, carinhoso, aumenta a massa encefálica, as sinapses e os pontos de contato, tornando o cérebro micro e macro bem desenvolvido”, explica o pediatra e neonatologista Nelson Douglas Ejzenbaum, membro da Academia Americana de Pediatria.

Não é à toa que a shantala, um tipo de massagem de origem indiana, e o método canguru, em que o bebê fica pele a pele com a mãe, se tornaram tão populares entre os novos pais. De acordo com a pesquisa, para os recém-nascidos, o contato físico ajuda ainda a regular o sono e os níveis de atividade. E no caso de prematuros, o toque por meio da massagem pode contribuir com o ganho de peso, o crescimento e até a redução do tempo de internação. Tudo o que os pais de bebês nascidos antes da hora mais desejam!

No caso dos prematuros

A pediatra e neonatologista Flávia Oliveira, que trabalhou por 10 anos em uma UTI neonatal, testemunhou na prática como o toque pode fazer a diferença. “Quando os pais eram mais próximos, tocavam mais os bebês, era evidente que essas crianças se desenvolviam melhor”, lembra. Flávia conta que, muitas vezes, os pais têm receio de machucar os bebês, principalmente dentro da UTI, onde há uma série de cuidados especiais. Mas, nesse contexto, o contato pele a pele e o carinho são ainda mais significativos.

“O toque da mãe e do pai é diferente do toque dos médicos, que é mais agressivo, por precisar apalpar, examinar. Os pais têm um contato mais suave e carinhoso com o bebê, o que pode ajudar a criar uma memória positiva do contato físico”, explica a pediatra.

Não é raro que bebês que passam por longos períodos de internação sintam dores crônicas em locais afetados por procedimentos que precisaram ser rotineiramente repetidos. O carinho é ainda mais importante nesses casos, porque os pequenos não têm a mesma sensibilidade tátil que nós, adultos.

Embora o toque seja um dos primeiros sentidos a serem desenvolvidos pelos seres humanos, não quer dizer que ele já esteja plenamente desenvolvido no nascimento. Os bebês conseguem distinguir entre frio e o calor, perceberem a diferença entre um contato mais vigoroso ou mais suave, mas ainda são incapazes de organizar toda essa informação. “Principalmente os muito novinhos, não sistematizam bem a dor e o toque. Por esse motivo é que, se estão com cólica, dói tudo de verdade”, explica a pediatra.

A boa notícia é que o contrário também é válido: um abraço, um afago, o prazer causado pelo contato físico também pode se espalhar, dando uma sensação de bem-estar geral ao bebê. A única ressalva, no caso dos recém-nascidos, é evitar carinhos no rosto, que possui muitas terminações nervosas. Nesse caso, o toque pode gerar uma sobrecarga de estímulos.

Por que é tão poderoso?

A explicação para todos os efeitos positivos que o aconchego pele a pele pode causar à saúde se resume a uma palavra: neurotransmissores. Essas substâncias químicas têm como missão enviar informações a outras células. Os principais neurotransmissores são a serotonina e a endorfina, produzidas pela glândula hipófise, situada na parte inferior do cérebro. Tem ainda a ocitocina, que não por acaso é conhecida como hormônio do amor. Ela é produzida no hipotálamo, um pouco acima da hipófise e tem um papel importante tanto durante o parto, estimulando as contrações, quanto na amamentação, ao atuar na liberação do leite materno.

Os neurotransmissores são liberados no organismo em diversas situações associadas ao bem-estar: quando praticamos exercícios físicos, relaxamos ou recebemos um toque gentil, um abraço, um carinho. Nesses casos, o contato é que estimula as terminações nervosas da pele, provocando a liberação dessas substâncias, que resultam naqueles efeitos físicos relatados no começo desta reportagem: redução do batimento e da pressão. “No caso dos bebês, ainda não há estudos suficientes para garantir que são os neurotransmissores os responsáveis por todos esses benefícios. Mas uma coisa é certa: o toque e o carinho sem dúvidas ajudam no desenvolvimento deles“, explica Ejzenbaum. Por isso, muitas doses de carinho e vários abraços por dia podem fazer seu filho viver mais e melhor. Abuse desse recurso terapêutico!

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