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Como escolher os padrinhos do seu filho e formas criativas de convidá-los

Apesar de a tradição de apadrinhar ter se originado entre os cristãos, não é preciso ser religioso para adotá-la na sua família, nem ter um ritual para que isso aconteça. Eleger alguém para essa função não é mais como antigamente, quando os padrinhos eram um referência de fé e a escolha estava atrelada à assistência financeira e a certo prestígio social. O padrinho era aquela figura de quem se esperava presentes caros, mimos e, às vezes, até o pagamento da mensalidade escolar. Hoje isso pouco pesa, embora muita gente ainda ache que ser padrinho é dar os melhores presentes. “É muito mais do que isso”, garante a doula e psicóloga Raquel Jandozza.

Os pais confiam nos padrinhos para partilhar os cuidados e fazer parte da vida da criança, algo que ultrapassa assistência financeira e mimos. “Eles serão figuras de apoio com quem a criança vai desenvolver um vínculo especial e vão servir de referência para ela para o resto da vida”, explica a psicóloga. De quem ocupa esse papel, os pais esperam atenção e preocupação em relação ao afilhado. Mais do que isso: são aqueles que assumirão os cuidados caso um dia eles venham a faltar. “Por isso, os padrinhos também são conhecidos como segunda mãe e segundo pai”, explica a psicóloga clínica Marilene Kehdi.

Bárbara Caparroz, mãe de Joaquim, escolheu o primo dela, Gabriel, e a mulher dele, Leticia, para a função. Os motivos são muitos: além de ser parente dela e um grande amigo de Luis Felipe, o marido de Bárbara, foi ele quem apresentou o casal. “O fato de o Gabriel ser um elo entre eu e meu marido e de termos a sensação de família quando estamos com ele foram os fatores que pesaram”, conta. Os dois casais vivem em Jundiaí (SP) e pelo menos duas vezes por semana estão juntos.

Presença, não presente

A certeza de que o padrinho estará sempre presente na vida da família, por ser primo dela e ter uma amizade muito sólida com seu marido, também pesou na escolha. “Não queria que o Joaquim chegasse aos 16 anos e dissesse: ‘Ah, o meu padrinho era um amigo dos meus pais’. Sei de muita gente que não conhece direito os padrinhos, acho isso terrível.”

Portanto, para a psicóloga Raquel, é muito importante convidar alguém que tenha disponibilidade emocional para realmente criar um vínculo especial com a criança e se fazer presente. Ela chama essa ligação entre padrinhos e afilhado de “afiliação afetiva”, ou seja, uma associação baseada no afeto. “Isso é muito mais profundo do que só ter um título. Alguém que se vincula à criança de verdade, se preocupa se ela vai bem na escola, se está bem de saúde. É muito mais do que só cumprir uma função, é sentimento, é por amor”, ressalta a psicóloga.

Vale lembrar que se fazer presente não significa tanto a proximidade física – pense em quantos amigos e parentes moram relativamente perto, mas você nunca encontra! E, sim, estar próximo da criança por meio do afeto, da consideração, da preocupação e do apoio aos pais. Para isso, pouco interessa se os padrinhos moram na mesma cidade, se são parentes ou amigos, se conhecem a família há muito ou pouco tempo. O que conta mesmo é a disponibilidade e a disposição para abraçar a tarefa.

Padrinhos = casal?

O fato de Bárbara ter chamado a mulher do primo como madrinha foi algo que algumas pessoas questionaram, mas a resposta dela sempre foi categórica: “Ela está na vida dele, é a mulher dele, tem que fazer parte”. Ainda assim, não é preciso escolher necessariamente um casal. Primeiro, porque casamentos não são indissolúveis e não há garantias de que esse será para sempre o arranjo. Segundo, porque padrinho e madrinha podem, sim, ter atuações independentes.

O único alerta é que, quando um deles é casado, pode ser complicado não estender o título ao cônjuge. “Não é de bom tom, nem aconselhável, escolher apenas um entre o casal e chamar outra pessoa, que às vezes nem conhece aquele que foi escolhido, para fazer par. Não é elegante”, alerta a psicóloga Marilene.

Mas, afinal, como escolher?

Não existe receita. A assistente de vendas Suiani Oporini, que tem nada menos do que cinco afilhados, é prova viva disso. Cada um dos convites para ser madrinha foi recebido por um motivo diferente. A primeira afilhada, Maria Eduarda, ela ganhou pela proximidade com a família, que começou pela amizade que Suiani tinha com os tios da menina. O segundo afilhado, Miguel, é sobrinho de Suiani, fazendo com que ela acumule as funções de tia e madrinha. Já Mário Eduardo é primo de Suiani – e foi ele mesmo quem a chamou para ser sua madrinha. “Temos uma ligação forte desde que ele saiu da barriga, eu o chamo de ‘meu pacotinho’. Acompanhei o nascimento dele e sempre fomos grudados”, conta.

Com a afilhada Maria Clara, o convite foi mais inesperado: Suiani e a mãe da menina, que ainda nem estava grávida, se aproximaram em um retiro espiritual. A mãe de Maria Clara tinha um problema de hérnia, que poderia complicar uma futura gravidez, e considerou as orações de Suiani, que ela mal conhecia na época, fundamentais para a cura. Por fim, a última, Alice, é filha de uma grande amiga de infância de Suiani, com quem ela estudou desde a 1ª série do fundamental. “Ser confiada a missões como essas é uma grande responsabilidade, exige comprometimento, mas o amor torna tudo fascinante”, garante.

Um bom critério inicial para escolher os padrinhos é pensar no que consiste essa missão: na sua ausência, quem educaria seu filho tão bem (ou quase tão bem) quanto você? Isso significa escolher uma pessoa que tenha valores parecidos com os da sua família, com quem você se identifique na forma de agir e tomar decisões.

Também é importante se libertar das expectativas alheias. Não interessa se a sua cunhada já deu mil indiretas de que adoraria ser madrinha ou se os seus irmãos esperam pelo convite porque na família é tradição que os padrinhos sejam os próprios tios. O essencial é escolher alguém em quem você sinta confiança e que esteja verdadeiramente disponível para construir com a criança esse vínculo especial. Afinal, assim como pai e mãe, padrinho e madrinha também são para a vida toda.

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