Como o pai pode se preparar para receber o bebê durante a gestação - Mais Abraços

Como o pai pode se preparar para receber o bebê durante a gestação

A mulher pode não estar totalmente segura nem precisa saber de tudo sobre maternidade quando descobre a gravidez. Mas ela sente na pele seu novo papel durante os nove meses: seja nos enjoos, nas mudanças bruscas de humor, no peso da barriga que dá dor nas costas e, claro, nos próprios movimentos do bebê. Ou seja, a transição fica mais natural. E o pai? Muitas vezes está ali, ao lado, meio alheio a tudo, e só se dá conta da transformação quando seu mundo já virou de pernas para o ar, com o filho nos braços. Como, então, ele pode se preparar emocionalmente para a grande mudança que está por vir? “Por não sentir todas as coisas que a mãe, muitas vezes, o homem fica frustrado e sente-se não envolvido com o bebê. O melhor caminho é que o casal esteja em sintonia, não esconda nada um do outro, converse sobre todos os medos e inseguranças, tão pertinentes nesse momento. Assim, preparam-se juntos para esse grande encontro”, diz a psicóloga Karla Cerávolo, diretora da organização De Umbiguinho a Umbigão, em Goiânia (GO). A conversa é, sem dúvida, o melhor primeiro passo. Saber o que ambos pensam sobre tudo relacionado ao bebê: parto, enxoval, nome, como será a educação, os cuidados nos primeiros meses, a quem vão recorrer quando precisarem de ajuda, como ficarão as tarefas domésticas, as carreiras… "Meu conselho é 'vá fundo nessa gestação'. Vá a todos os ultrassons, às consultas. Tudo isso vai tornando menos abstrata a situação. É muito fácil que o homem fique alheio a esse processo, por não sentir na pele, então exige um trabalho, uma vontade", opina Thiago Queiroz, pai de Dante, 5 anos, e Gael, 3, e criador do site Paizinho, Vírgula!. Pré-natal a dois Participar. Estar presente. Se esses são fatores essenciais para o pontapé inicial nesse envolvimento com a gravidez, é fundamental que o pai esteja ao lado da mulher desde a primeira consulta e ultrassonografia. Afinal, quer emoção maior do que ouvir o coração do seu filho batendo pela primeira vez? O acompanhamento do pré-natal é essencial para compreender o que a mulher está vivendo e tudo que vem pela frente. "Ele deve entender o que é fisiológico e o que é patológico durante a gestação. Para isso, precisa estar atento às explicações e observações feitas pelo obstetra, até mesmo para auxiliar a parceira em tratamentos propostos pelo médico, como nos casos de hipertensão ou diabetes gestacional, quando é essencial o apoio para mudanças na alimentação e estilo de vida", orienta a obstetra Kadja Nascimento, do Hospital e Maternidade Santa Joana, de São Paulo. Falar sobre os próprios sentimentos Essas conversas nas consultas e depois delas são fundamentais também para entender as oscilações de humor da parceira, a possível carência dela. E abrem espaço para que o homem se sinta à vontade para falar sobre os seus sentimentos. Afinal, ele pode se envolver bastante e cantar canções de ninar para o bebê todas as noites na gravidez ou se sentir “ridículo” conversando com a barriga. E tudo bem se sentir assim, desde que se abra com a mulher e procure outras formas de vivenciar o papel de pai ainda na gestação. Dá para conversar com os amigos que já são pais sobre sexo na gravidez, seguir algum youtuber ou blogueiro que aborde a paternidade ou até mesmo colocar a mão na massa no projeto do quarto da criança, caso seja daqueles que adoram bancar o marceneiro. O importante é encontrar a própria maneira de ser pai antes de o bebê chegar. Outro fator crucial de estar presente nas consultas é poder tirar as dúvidas em relação ao parto, que normalmente assusta bastante os homens. "Independentemente da via, é importante conhecer a fisiologia e as fases do trabalho de parto, o que pode ocorrer com a gestante durante esse período, para que entenda o processo das contrações, que são dolorosas, e muitas vezes assustam e causam angústia nos pais que não estão preparados. Muitos não sabem o tempo que pode durar um trabalho de parto e acham que o bebê está passando da hora de nascer", complementa Kadja. Informe-se! O obstetra é a principal fonte de confiança, mas vocês também podem - e devem - buscar informações em outros meios. O pai pode participar de grupos de trocas de experiências, como as rodas de gestantes - sim, não tenha vergonha de ir junto! - e visitar o local em que será feito o parto. Cursos específicos de preparação para a chegada do bebê sempre são uma boa pedida - quando é da vontade de ambos. Conversem com amigos que já são pais. Suas experiências, embora sejam únicas, têm muito em comum. "Ser pai não é fácil e tudo será um grande aprendizado. Ao nascer o bebê, também nascerá um pai que não sabe nada sobre aquele serzinho ali à sua frente, que vai chorar, que vai pedir colo, que vai te enfrentar, que vai te desafiar. É uma experiência maravilhosa e muito árdua. A responsabilidade de cuidar de outro ser humano é doce e amarga", diz Karla Cerávolo. Para fazer juntinho Outra boa maneira de se informar - e de quebra é um ótimo programa para o casal ficar juntinho e namorar - é assistir a filmes. Produções como os documentários "O Começo da Vida" e "O Renascimento do Parto" são imperdíveis. Também há opções para descontrair e puxar papo sobre diversas situações, como o longa "O que esperar quando se está esperando". Ler, ler e ler. Sites e blogs com informações confiáveis, revistas especializadas e livros. Mais uma vez, há aqueles só para descontrair e outros mais específicos - uma boa dica é o "Abrace Seu Filho" (editora Belas Letras), do Thiago Queiroz, que acaba de ser lançado e fala sobre a criação do vínculo desde a barriga, criação com apego e disciplina positiva. Tente não cair na cilada de ler apenas os livros que tratam os pais como "bobos" e que não sabem de nada. Afinal, é justamente isso que não queremos, certo?
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