Depressão na gravidez: quais são os principais sintomas e tratamentos - Mais Abraços
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Depressão na gravidez: quais são os principais sintomas e tratamentos

O teste de gravidez deu positivo. O bebê com que você tanto sonhou está a caminho. Seu marido ficou maravilhado e está dando um superapoio. Enfim, tudo está correndo bem. Mas, então, por que é tão difícil levantar da cama de manhã? Por que é tão difícil comer, dormir, ver graça nas atividades que antes davam prazer? Se você se reconhece nesse dilema, pode estar com depressão.



A doença atinge de 10% a 20% das grávidas e algumas podem ter de tomar medicação como tratamento. Segundo Alexandre Pupo Nogueira, ginecologista e obstetra do Hospital Sírio-Libanês, embora não exista um antidepressivo que possa ser indicado para a gestante com 100% de segurança para o bebê, em casos graves é fundamental o médico avaliar o risco-benefício daquela medicação.



É preciso lembrar que, assim como qualquer remédio na gravidez, o uso dos antidepressivos também requer muito cuidado. Se você já fazia uso deles antes de saber que estava esperando o bebê, converse com o seu médico para que ele avalie a continuação do tratamento. Para Nogueira, nessas situações, o melhor são tratamentos alternativos, como relaxamento e produtos fitoterápicos.



A depressão na gravidez jamais deve ser ignorada, até porque um quadro extremo não tratado também pode prejudicar o feto e levar a episódios depressivos no pós-parto. “O cansaço de cuidar do bebê, a insegurança, a mudança da dinâmica familiar, tudo contribui para que os sintomas piorem no puerpério”, diz a ginecologista Sue Yazak Sun.



Por isso, nessa hora, é melhor mesmo procurar ajuda. E não apenas a dos médicos, apesar de ser fundamental você ficar à vontade para falar tudo o que está sentido para ele. Conversar com amigos e o seu companheiro, dividir tarefas, descansar e reduzir a carga de trabalho diminuem o estresse sobre a mulher e ajudam a melhorar os sintomas. E, principalmente, tentar se livrar da culpa. A pressão para que tudo saia perfeito é grande, a idealização também. Ninguém aguenta um peso desses. Por isso, é melhor depositar a carga no chão e ficar mais leve, mais sossegada. Por você e por seu bebê.




Fatores de risco



A gravidez é um momento muito especial na vida da mulher sob todos os pontos de vista: emocionais, biológicos, sociais. A mudança de hormônios e as expectativas podem causar as famosas flutuações de humor. A mulher pode ter crises de choro e ficar com a sensibilidade à flor da pele. Isso tudo é normal, comum e não deve ser motivo de preocupação. Algumas mulheres, porém, podem ser mais sensíveis a essas alterações, e isso pode levar à depressão.



Antigamente, acreditava-se que a gravidez fosse uma espécie de proteção natural contra a depressão. “Alguns obstetras ainda acham que a gravidez é um período só de bem-estar”, diz o psiquiatra Joel Rennó Jr. Ainda não se sabe exatamente o que causa o problema na gestação, mas alguns fatores indicam mais chances de a grávida ter o distúrbio, como ter histórico anterior de depressão.



Além disso, problemas no casamento, condições socioeconômicas baixas e passar por experiências traumáticas no período também contribuem para a doença. Se a gravidez for indesejada, a chance também aumenta, assim como se houver predisposição genética, ou seja, casos de depressão na família. Mesmo assim, é possível que mulheres que estejam bem, sem qualquer um desses problemas, também desenvolvam o distúrbio.




Tudo cinza



Quando a depressão se instala, a mulher apresenta problemas para se alimentar e para dormir. Ou come demais ou não come nada, ou tem sonolência excessiva ou insônia. A libido diminui, a energia também. A paciente perde o prazer pelas atividades cotidianas, de que normalmente gostava. Pode ter sentimentos de culpa ou pânico, e até mesmo pensamentos suicidas. Curiosamente, as mulheres que ficam deprimidas durante a gravidez pensam em suicídio como em outros períodos da vida, mas o índice de tentativas é bem menor que em qualquer outra época. Nesse caso, a gravidez funciona, sim, como uma espécie de proteção.



Ela se sente culpada, claro. Todos esperam que esteja imensamente feliz, em êxtase. Por isso, muitas gestantes silenciam e não contam aos médicos ou familiares que estão se sentindo tristes, infelizes. Isso leva a um subdiagnóstico nessa fase. O risco de não se tratar a doença é enorme. Gestantes com depressão tendem a não seguir corretamente as orientações do pré-natal. Não se alimentam nem dormem bem, têm mais chance de fumar e beber.



Afora os riscos causados pelos sintomas, a depressão por si só pode alterar o desenvolvimento do bebê. Ele tem mais chances de nascer prematuro e com baixo peso. Além disso, grávidas com ansiedade ou depressão têm mais chances de ter bebês que terão problemas de sono por volta dos 18 meses – pesquisas realizadas com animais sugerem que pode haver danos na formação de estruturas do sistema nervoso central e até morte de neurônios. “Ainda não sabemos por que isso ocorre, mas tem a ver com mudanças hormonais, que podem causar alterações no fluxo sanguíneo para o útero”, diz o especialista. Diante dos riscos, fica claro que é importante detectar e tratar a doença.




Quais são os sintomas?



Se você se identifica com a maioria das descrições abaixo, converse com seu médico.



- Sentimentos depressivos, tristes, na maior parte do dia, quase todos os dias, por no mínimo duas semanas



- Perda de interesse ou prazer em atividades de que normalmente gosta



- Fadiga, falta de energia



- Inquietude



- Sentimentos de culpa ou de inutilidade



- Dificuldade de se concentrar



- Distúrbios do sono - tem insônia ou dorme demais



- Distúrbios de apetite - come demais ou não sente vontade de comer



- Pensamentos recorrentes de morte ou suicídio

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AutorCrescer, Crescer
Data27/03/2019