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Grupos de pais no Facebook: sim, eles existem!

Não é lenda urbana, crendice, nem achismo: grupos de pais existem mesmo. Estão no Facebook, no WhatsApp, no Twitter e até viraram Podcast, como o animado Balaio de Pais. E não pense que os filhos são só uma desculpa para falar de futebol – assunto que, aliás, raramente entra em pauta em muitos grupos. Há um movimento consistente de pais buscando apoio e oportunidades para discutir os dilemas, as mudanças e os desafios que a paternidade traz.

Gildo Rioji Nakamura, pai de Naomi, Ayumi e Tiemi, é um deles. Ele participa do grupo Paternando, do Facebook, que tem cerca de 1.100 membros, e foi um dos fundadores do Coletivo Paterno, outro grupo da mesma rede social. As esposas já participavam de alguns coletivos, como o Buxixo de Mães e o Ciranda Materna e, inspirados por elas, eles resolveram criar seu próprio espaço para a discussão. “Inicialmente, tínhamos muitas dúvidas práticas: como dar banho? Que fralda comprar? Qual é o melhor sling?”, conta. No caso do Coletivo Paterno, como as crianças tinham idades parecidas, as dúvidas iam surgindo ao mesmo tempo e fortalecendo a rede de apoio.

Gildo e o Coletivo Paterno defendem os princípios do parto humanizado, da criação com apego, do desfralde e do desmame conscientes. E vira e mexe, também debatem questões que interferem diretamente na criação dos filhos. “Falamos sobre racismo, sexismo, homossexualidade e outros assuntos que fazem parte desse processo de desconstrução que estamos vivendo, tanto no nosso grupo, quanto no Paternando”, conta.

Assim como Gildo, Rodrigo Brogiatto, pai de Clara, também não tinha com quem dividir suas experiências com a filha. “Fui um dos primeiros dos meus amigos a ser pai, então, não tinha com quem conversar. Ou era uma conversa muito rasa. Os pais que eu conhecia não estavam na mesma pegada que eu, de querer aprender, de se esforçar para ser, de fato, um ótimo pai”, conta. Ele começou a escrever essa jornada inédita em sua coluna no site Papo de Homem.

Em um dos textos, contou como percebeu todo o suporte que a mulher recebia nos grupos de mães enquanto ele mesmo não tinha a quem recorrer. Com o tempo, os leitores da sua coluna começaram a procurá-lo e relataram que também sentiam falta de um lugar para poder desabafar sobre os desafios particulares da paternidade. Foi então que Rodrigo, com três pais mais próximos, criou um grupo no WhatsApp. “É um espaço para tirar dúvidas e trocar experiências”, explica.

Um pai, por exemplo, relatou que o filho empurrou outra criança de cima do escorregador. O menino se machucou inteiro e ele não sabia como agir: não queria bater no filho, mas não achava certo o que ele fez. Então, recorreu aos outros pais para refletir sobre a melhor forma de agir. Outro estava com problemas para tirar a filha da cama. De novo, a ajuda foi requisitada.

A questão dos relacionamentos também entra em pauta com frequência. “Acho que tem coisas que os pais falam no grupo que não falariam na frente da esposa, como crises sexuais, se têm vontade de terminar o casamento, se têm vontade de ficar com outras mulheres. Temos um outro grupo de pais que é para falar só sobre sexualidade”, conta Rodrigo. Gildo revela que, principalmente no começo do grupo Coletivo Paterno, quando as crianças eram bem pequenas, havia bastante compartilhamento de conflitos pessoais também, por ser um momento delicado para o casal.

Se o futebol entra em pauta? Ocasionalmente. Assim como às vezes acontecem discussões sobre problemas de trabalho ou questões um pouco distanciadas das crianças. Mas Rodrigo e Gildo garantem que os grupos não perdem o foco na paternidade. Além disso, há um compartilhamento constante de notícias e textos que têm a ver com os cuidados com os filhos: campanhas de vacinação, entrevistas com psicólogos, novos modelos de famílias.

E como acontece com frequência nos grupos de mães, vira e mexe os pais se encontram presencialmente para tomar uma cerveja. “Quando era criança, tive um pai acima da média, mas que não chega nem perto do modelo de pai que eu quero ser para a minha filha. Quando a bucha apertava, era a minha mãe que resolvia. Então, como pai, sinto que precisamos buscar novos modelos de paternidade”, resume Rodrigo. E, pelo jeito, os grupos estão ajudando nesse caminho, conectando pais que buscam nada mais do que o que deveria ser tão natural: exercer a paternidade ativamente, com amor e de coração aberto.

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