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Netos e avós: a importância dessa relação

“Avós são pai e mãe com açúcar”. “Avó é mãe duas vezes”. “Na casa dos avós pode (quase) tudo”.

Todas essas frases são ditas por um ótimo motivo: o vínculo entre avós e netos é mesmo muito especial. Tanto é que não faltam pesquisas atestando os benefícios desse elo – para ambas as partes. Um estudo alemão intitulado Berlin Aging Study (“Estudo de Envelhecimento em Berlim”, em tradução livre) constatou que as pessoas que cuidam dos netos vivem mais. E ainda: que a interação social com eles ajuda o cérebro dos avós a se manter mais saudável.

Na outra ponta, pesquisadores da Universidade de Oxford (Reino Unido) observaram que crianças que têm proximidade com os avós têm menos chances de apresentar problemas de comportamento e de ordem emocional. E não é para menos.

“Sempre vejo os avós como aquele lugar em que existe afeto e repouso”, explica a psicóloga e psicopedagoga Ana Cássia Maturano (SP). Isso porque a relação entre netos e avós é essencialmente mais leve do que a que se estabelece entre filhos e pais. Eles não estão no lugar da obrigação, não têm a responsabilidade de educar – salvo nos casos em que assumem a criação – e, por isso, podem até deixar as crianças burlarem algumas regras do dia a dia de vez em quando. Tudo isso tira o peso e traz mais prazer ao convívio.

Narrativas familiares

Além disso, os avós, exercem um papel precioso na família: são os contadores das histórias. “Eles trazem a narrativa da história familiar, transmitem conhecimento, contam para a criança de onde ela vem e recontam as histórias de quem veio antes: pais, bisavós, trisavós”, resume a psicóloga, psicanalista e especialista em gestação e pós-parto Maiana Rappaport, da Casa Moara (SP).

Ela ministra uma oficina de reciclagem feita especialmente para os avós. Os participantes recebem atualizações sobre as recomendações e cuidados com os bebês e são sensibilizados para perceberem a nova configuração familiar. “Os avós têm que lidar com uma mudança de lugar, abrir mão do protagonismo para se tornarem coadjuvantes, o que não é uma tarefa fácil”, explica a psicanalista.

Ela também os prepara para que sejam bons apoios depois que o bebê nascer. “Pedimos para eles lembrarem de quem receberam ajuda, quem fez a diferença quando os filhos deles nasceram. Assim, contribuímos para que se identifiquem com os próprios filhos no momento em que estão se tornando pais”, completa.

Todo mundo ganha

Os pais também são beneficiados quando os avós participam. “A relação pode mudar para melhor quando chega uma nova criança na família. Os filhos, agora pais, começam a entender o que é ser pai ou mãe e ganham a dimensão da intesidade desse afeto”, explica Ana Cássia. É claro que cada caso é um caso, mas a chegada de uma criança não apenas muda os papéis e a dinâmica familiar: é também uma oportunidade para retomar a convivência, reaproximar partes e fortalecer laços.

Mesmo que muitos avós ainda estejam no mercado de trabalho e tenham sua própria programação, seus amigos e sua rotina, eles ainda são os que aparecem com mais frequência para dar suporte a essa nova família. E receber apoio, principalmente quando chegar o puerpério, é importantíssimo.

Além de ser muito bem-vinda a ajuda para limpar a casa, lavar louça, preparar a janta e, eventualmente, trocar fraldas, com a chegada do bebê os pais também precisam ser acolhidos, receber apoio, carinho e companhia. “As pessoas se preparam muito para o parto e pouco para o pós-parto. E os casais, às vezes, esperam que os avós venham não só para cuidar do bebê, mas para cuidar deles”, explica Maiana.

Como envolver os avós

Por isso, é importante que os avós estejam presentes e comecem a construir o laço com os netos desde a gestação. E há muitas formas de fazer isso. A começar por comunicar a gravidez de um jeito que faça seus pais se sentirem especiais nesse novo papel. Vale fazer um cartão personalizado (que tal um com os dizeres: “Parabéns, você foi promovido(a)... a “avô/avó!”), marcar um almoço para contar a novidade ou pegá-los de surpresa – já imaginou um biscoito da sorte anunciando que tem um neto a caminho? Mais tarde, convidar a mãe ou a sogra para acompanhar a gestante em uma consulta ao obstetra ou a algum dos ultrassons é uma delas – haja emoção ao ver o neto pela primeira vez!

Outra ideia é designar tarefas específicas aos avós durante os diversos preparativos para receber o bebê. Eles podem se encarregar de algumas peças do enxoval (como fraldas de boca e outros itens que podem ser personalizados), cuidar das lembrancinhas para o chá de bebê ou até ficarem responsáveis pelo enfeite da porta da maternidade.

É claro que tudo precisa ser bem combinado e dosado com muito respeito, sem que nenhum lado se sinta invadido. “Os avós que querem participar precisam medir o tempo que estarão disponíveis sem serem intrusivos. Se tiverem uma relação mais estreita com o filho ou a filha, terão mais liberdade. Mas, se não forem tão próximos assim da nora, melhor ir devagar”, recomenda a psicóloga Silvia Maria Gonçalves, do Hospital da Criança (SP).

Do outro lado, os pais também precisam estar abertos para acolher as vivências dos avós. Mesmo com pesquisas, livros e revistas cada vez mais disponíveis, não dá para ignorar a experiência de quem já enfrentou uma jornada que eles só estão começando. Até porque, essa vivência dá outro gosto aos momentos: eles, mais do que ninguém, sabem que o tempo passa rápido demais. Por isso, têm quase sempre mais serenidade para atravessar os maus momentos sem deixar os bons escaparem. E essa é a primeira grande lição a se aprender com eles.

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