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Pré-natal psicológico: o cuidado com a saúde emocional da gestante

O pré-natal é um velho conhecido de todas as grávidas. Mas, e o pré-natal psicológico, você conhece? Embora as consultas regulares com o obstetra sejam indispensáveis para a saúde física da mãe e do bebê, o lado emocional também merece muita atenção. Gerar um filho traz inúmeras mudanças ao corpo, à rotina, à casa e à vida pessoal. Nesse turbilhão de novidades, contar com o apoio de um profissional especializado faz toda a diferença para passar com tranquilidade por essa fase.

“Não acreditamos que a maternidade seja só cor de rosa nem só sombria, ela transita entre os dois lados. Os tons mais suaves e calmos remetem à alegria e ao amor, enquanto os mais escuros são as dores, as dificuldades, as angústias. Às vezes, estamos de um lado, às vezes, de outro, ou no meio deles”, explica a psicóloga perinatal e doula Luciana Rocha. “É importante desmistificar a maternidade ideal e os seus padrões para preparar a mulher para a chegada do bebê”, diz.

Há 15 anos, Luciana estuda o assunto e acompanha mulheres durante a gestação em Brasília (DF), onde tem consultório. Os encontros acontecem tanto em grupos como individualmente e ela também tem uma modalidade online. A seguir, confira entrevista na íntegra:

Qual a importância do pré-natal psicológico?

Luciana Rocha: A chegada de um filho mexe com a mulher de diversas formas. A mudança física é a mais aparente. Mas o novo bebê também muda o ambiente, o casal, a vida social. A mulher que era filha e profissional passa a ser mãe. A maternidade interfere em todos os outros papéis que ela desempenha. Quanto mais preparada estiver, melhor vai conseguir lidar com as mudanças. O intuito do pré-natal psicológico é prevenir adoecimentos. Pesquisas mostram que mulheres que participam de grupos desse tipo de pré-natal têm menores índices de depressão pós-parto.

Como acontece o pré-natal psicológico?

L. R: Pode ser individualmente, em formato parecido com uma terapia. Em alguns momentos, o pai é convidado a participar, assim como outras pessoas que compõem a rede de apoio, a exemplo das avós. Também pode ser feito em grupo, com diversas gestantes, compartilhando momentos e experiências da gestação. Pode ser presencial ou online (videoconferência). A consulta individual dura aproximadamente 50 minutos, o tempo de uma terapia comum. O encontro em grupo leva de 1h30 a 2h. Quanto antes começar, melhor. Mas, se não foi possível, o segundo trimestre é um momento bastante propício.

Como são esses grupos?

L. R: Eles têm de 5 a 12 pessoas. Não pode ser menos, porque é importante haver uma troca entre as gestantes. Por outro lado, se houver muitos participantes, o encontro se torna muito longo e cansativo. Falamos sobre angústias, ansiedades, parto e pós-parto. Isso empodera a mulher e a ajuda a decidir por um parto respeitoso, de acordo com as possibilidades e necessidades dela. Tenho visto muitas gestantes se preparando para a amamentação e para o parto, e esquecendo do pós-parto como um todo. O objetivo do grupo é trazer a realidade para o sonho da maternidade. Quando podemos falar sobre isso, é possível se prevenir. Não queremos desconstruir os sonhos das mulheres, mas dar base para que eles aconteçam.

Quais são as questões mais frequentes que as gestantes trazem?

L. R: Elas se perguntam como vai ser essa mudança, se serão capazes de ser mães, se vão dar conta do que vem pela frente. Também têm muita dúvida relacionada ao parto. É comum chegarem com desejo de parto natural e sentirem medo de não conseguir parir, além de não conseguirem amamentar.

E quando a mulher sabe que está esperando um bebê especial?

L. R: Tudo o que foge do que seria considerado “normal” mexe diretamente com a gestante e a família, então, ela merece um acolhimento diferenciado. Os casos de luto também, quando as mulheres já tiveram histórico de óbito fetal.

O pré-natal psicológico tem se popularizado?

L. R: Cresceu muito nos últimos anos. Está se falando mais sobre isso, as pessoas estão mais sensíveis para esse cuidado, mas ainda é pouco em comparação à necessidade. Algumas mulheres pensam que a depressão pós-parto pode acontecer com a vizinha e não com ela.

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