Relato de Flávia Rubim - Recado para os pais - Mais Abraços
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Relato de Flávia Rubim - Recado para os pais

Recado para os pais

Existe aquela “máxima” que diz que homem só é pai depois que o bebê nasce, depois que o pega nos braços. E o incrível é que muitos ainda acreditam nesse mito, vestem a carapuça e se anestesiam diante da verdade.
Falo aqui da “verdade” com um significado (que deveria ser) muito simples: Estar vivo.

Então, a proposta que trago para reflexão é: Que tal questionar esse antigo modelo, repudiar esse blá blá blá de frases feitas e se manter presente para sentir a SUA paternidade?

É claro que a paternidade é uma condição para toda a vida, mas quero focar aqui num recorte que tenho particular interesse e preocupação: o início da vida. Minhas observações acerca desse período, compreendido desde o feto em gestação até o terceiro ano de vida, ficaram ainda mais consistentes e curiosas desde que me dei conta, assistindo uma palestra de um médico e pai, de um movimento que já vivia, mas não sabia nomear. “A vida se dá em envoltórios”, ele dizia. “Quanto mais envolvimento, mais vida”.

Pois bem... O primeiro e tão importante envoltório de um filho é a barriga de sua mãe. Todo um corpo se arredonda para envolver de proteção a nova vida que daqui a pouco romperá este envoltório, para então, se desenvolver.

Do teste marcando positivo até aquela cena clássica do pai que, diante da família, segura o bebê recém-nascido por trás do vidro, o mais fácil é normatizar e se perder. Muita preocupação, pouca conexão. E é aqui que convido você, pai desse bebê, a questionar a condição que te coloca “separado” corporalmente deste evento “gestação”. Sua intenção e sua ação podem ser maestros do pulsar tranquilo do coração da mulher que envolve este bebê, e sua paternidade, acredite, começa aí.

Ei, pai, nesse momento (e em tantos outros que ainda virão) pare um pouquinho e observe se está andando de bicicleta ou de avião. Quando se trata de um filho, a direção é mais importante que a velocidade. É seu este guidão. Perceba como é mais maravilhoso guiar com atenção e viver o percurso com todos os seus sentidos do que ser levado em alta velocidade, dopado por fones, ar condicionado, luz fria e snaks com aromas artificiais.

Abrace esta mulher, a mãe que gera o seu bebê. Ela precisa de você. Não no sentido carente, não é que “sem você ela não vai viver”. É que este envoltório precisa estar pleno de calor e alta vibração, e esta temperatura aquecida que envolve a vida, vem também do amor compartilhado, do vínculo construído, do afeto trocado, do cuidado empenhado. É melhor e mais aquecido estar em (boa e atenta) companhia.

Nesta mesma palestra, do médico/pai, ele ainda completou dizendo que, nessa dança sucessiva de envolver e desenvolver, “tirar envoltórios” traz uma responsabilidade que favorece o “tomar posse” da própria biografia. Que tal, então, trazer pra consciência que, enquanto seu filho é gerado, você pode ir também tirando o SEU próprio envoltório de filho para se desenvolver como PAI? Assim, em 9 meses, não é só um bebê que vai nascer e sim, a luz de uma nova, unida e consciente FAMÍLIA.

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AutorFlávia Rubim
FotógrafoKalinka Cope
Data08/08/2019