Relato de Flávia Rubim - Mais Abraços
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Relato de Flávia Rubim

O autocuidado que sustenta a nossa rede de apoio




A gente entra na maternidade cheias de expectativas. E aí, num misto de querer dar conta de tudo e ao mesmo tempo jogar tudo pro alto, cansaço e coração apertam. A gente procura paz, silêncio, companhia, apoio! Da onde virá a mão estendida que permitirá a esta mãe um pouco de respiro? Quem poderá me ajudar?? Na nossa mente paira aquela imagem da rede de apoio “dos sonhos”: Mãe, sogra, madrinha e amigas, todas disponíveis e num revezamento perfeito que nos permite banho, descanso e unhas feitas! Doce ilusão, pura fantasia.. afinal, na melhor das hipóteses, essas pessoas tem também suas próprias rotinas!!



Olho pro puerpério complexo e intenso da minha primeira filha e vejo tão claramente a minha expectativa frustrada. A ajuda até vinha, mas não da maneira que eu esperava e eu me sentia só, achando que se não fosse “daquela maneira”, nem adiantava! Eu lá, nadando nesse mar imprevisível que é a maternidade, e na hora que vem aquele caldo de perder o ar, ao invés de me agarrar na bóia branca que me ofereciam, eu gritava que queria uma pink de bolinhas amarelas! Não bastasse a solidão que já sentia, me isolava ainda mais. E doía.



Foi então, depois de muita amargura e raiva, que percebi que a verdadeira rede de apoio surge quando nos livramos das nossas próprias expectativas! Receber apoio e companhia para o nosso maternar é urgente, mas criar expectativas quanto à maneira como ele irá chegar, abre um abismo infalível de frustração e dor. Meu coração, então, me chamou na xinxa e comecei um processo de cura de mim mesma!



Primeiro, deixei de lado toda a fantasia que construí acerca da “ajuda perfeita”.“Cada um dá o que pode, ou o que quer”, acreditei. Passei a receber tudo de bom grado, o famoso pegar o limão e transformá-lo em limonada (ou em caipirinha!). Parando de reclamar e começando a agradecer, eu despertei e tive um insight: Na verdade, seja lá o que estou precisando, não será fora de mim que vou encontrar. E então o martelo que ecoava “quem poderá me ajudar?”, virou a música “Como EU irei me resgatar?”. EU PRECISO ME CUIDAR.



Com aceitação e autocuidado, o dia a dia vai fazendo mais sentido e encontramos alívio e companhia (muitas vezes de nós mesmas) nas ações mais simples… Ao encontrar na internet um texto como este, por exemplo! Ou um espaço assim seguro de troca entre mães, ou um pé descalço na grama. Estes e vários outros momentos podem ser os pontos de uma grande rede em que podemos nos apoiar, e respirar! Decidir olhar para os encontros comigo mesma em cada oportunidade, mesmo quando caos, cansaço e solidão foi o que me aliviou e ainda me alivia (neste segundo puerpério que estou vivendo) do peso e da expectativa, e ainda liberta quem está ao meu redor da “obrigação” de me salvar! A leveza vem daí.. do dar-se conta que o mundo que se manifesta ao nosso redor é reflexo de como levamos nossa balada interna. É real, eu juro.



Não é fácil e não é de uma hora pra outra. Aqui aconteceu após uma quase depressão. Mas é possível e pode ser um mergulho interno extraordinário! É maravilhosa a possibilidade de construir nossa própria rede, muito mais forte, segura e autêntica! E daqui a pouco você vai rever a sua história e se orgulhar do tamanho da força, proteção e firmeza que você pôde conceder a você mesma.



Confia: Conta comigo, conta com a gente, mesmo! Conta. Me conta, eu estou aqui. Este espaço existe e é real. Ele pode facilitar a sua vida! Podemos te escutar também.. Fica à vontade, desabafa! Ou só absorve e silencia, se preferir. Pode gritar pro mundo e compartilhar, se isso te aliviar. Estamos aqui para ser um dos pontos da sua rede, pra te apoiar.



Com amor e um abraço apertado,

de mãe para mães,

Flávia Rubim.

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AutorFlávia Rubim
Data29/03/2019