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Repouso na gravidez: quando é preciso?

Quando o médico aconselha o repouso durante a gestação, é normal que você sinta medo de que algo aconteça e, ao mesmo tempo, muito tédio e frustração por ter de ficar em casa. Se este é o seu caso, saiba que a medida é importante quando existem riscos na gravidez e, apesar da mudança na rotina (acredite!), ela só fará bem a vocês. E mais: não são poucas as mulheres que precisam repousar em algum momento da gravidez.

Para se ter uma ideia, um levantamento feito pela Society for Maternal-Fetal Medicine (EUA) mostrou que 18% das norte-americanas fizeram pelo menos uma pausa (curta ou longa) em nove meses. O motivo? Há evidências de que o esforço físico e o estresse sobrecarregam o organismo, aumentando a possibilidade de sangramentos e contrações. Diz a lógica, portanto, que ficar de molho é a atitude mais sensata em situações de risco.

Quando é indicado?

Para identificar o perigo e dar início ao descanso, os exames de pré-natal são decisivos. Um acompanhamento adequado permite detectar, por exemplo, a pré-eclâmpsia – um aumento grave na pressão arterial da gestante. De acordo com o obstetra Julio Elito Junior, da Unifesp, nessa condição, manter-se deitada de lado, apoiada na face esquerda do corpo, melhora o fluxo de sangue para o bebê, frequentemente comprometido por conta do problema. Além disso, evita que o quadro se agrave devido à agitação do cotidiano.

Há mais duas alterações recorrentes, ligadas à placenta, que demandam descanso: o descolamento, quando a estrutura se desprende do útero, e a placenta prévia ou baixa, que significa um erro de posicionamento (em vez de estar localizada ao centro ou no fundo do órgão, como é normal, ela se desenvolve abaixo dele). O primeiro caso implica em hemorragia, falta de oxigenação e desnutrição do feto, o que pode ser muito grave para mãe e filho. E o segundo também é capaz de promover sangramentos intensos.

Outra justificativa para o repouso forçado é a ruptura precoce da bolsa, levando à perda de líquido amniótico, o que deixa o bebê exposto a infecções. Diante da situação, a pausa é essencial para evitar uma complicação ainda maior – o prolapso do cordão, quando ele fica comprimido diante da perda de proteção pelo líquido, interrompendo o fluxo sanguíneo para a criança.

No final da gestação, há ainda a possibilidade de ocorrer a dilatação antecipada do colo do útero, uma intercorrência comum, capaz de adiantar o parto.

Tipos de repouso

Seja qual for o caso, não há motivo para desespero. “O repouso é bem-sucedido na maioria das vezes, se a grávida seguir todas as recomendações”, tranquiliza Elito Junior. O que isso significa na prática? Antes de tudo, vale saber que há dois tipos de repouso. O primeiro é o relativo, ou seja, o médico orienta que a mulher se ausente do trabalho e evite fazer esforços físicos intensos. No entanto, ela pode ficar em casa e está liberada para andar um pouco, levantar-se, ir ao banheiro, tomar banho sozinha e até realizar alguma atividade profissional em casa (desde que seja no computador e sem excessos).

Já o repouso total é mais rigoroso e exige acompanhamento médico, com internação em um hospital. “Essa recomendação é restrita a poucos casos, como a eclâmpsia (uma piora da pré-eclâmpsia, que pode vir acompanhada de convulsões e outros problemas)”, afirma Gerson Aranha, obstetra e professor da Universidade Metropolitana de Santos (SP). Ou seja: apesar de preocupante, nem sempre um descolamento de placenta, por exemplo, exige esse cuidado extremo.

E, mesmo que a internação hospitalar seja necessária, as limitações impostas vão variar de acordo com o estado clínico da paciente, que precisa ser avaliada individualmente. A maior parte das mulheres nessa situação pode se levantar para ir ao banheiro ou tomar banho, pelo menos. Outras, que apresentam uma dilatação preocupante do colo do útero, por exemplo, ficam restritas à cama.

O tipo de complicação e a consequente exigência de descanso também mudam de acordo com a etapa da gestação. A pré-eclâmpsia, por exemplo, costuma ser diagnosticada a partir do quinto mês. Já os problemas relacionados à placenta e à perda do líquido amniótico geralmente aparecem no terceiro trimestre, o que faz dessa fase a mais delicada.

Como evitar o estresse nessa situação

As intercorrências citadas anteriormente abrem alas para outros dois tormentos: o medo de perder o bebê e o sentimento de culpa. Essas sensações prejudicam, muitas vezes, a qualidade do sono e a alimentação, além de desencadearem possíveis depressões ou crises de ansiedade. Tudo isso só piora a situação. Para evitar um cenário desfavorável, a psicóloga Vanessa Guarino, pesquisadora da Universidade de São Paulo, sugere que os familiares criem uma rede de apoio consistente. Em poucas palavras: é importante ouvir a mulher com paciência e dar conselhos quando necessário.

Ajudá-la a ocupar os dias também é um grande incentivo. “Leve filmes, dê livros, conte piadas... Ela precisa disso para se distrair”, recomenda a profissional. Outra boa maneira de deixar a gestação mais suave é abrir a casa para os amigos e, se a preocupação é com o enxoval, vale aproveitar as lojas online para fazer as compras.

Como lidar com os outros filhos?

Quem já tem um filho maiorzinho deve explicar a ele o que está acontecendo, mostrar que aquela fase será importante para o seu irmão. “A conversa é sempre o melhor caminho”, sugere Vanessa. E, mais uma vez, conte com a ajuda dos parentes para cuidar do seu primogênito, como dar banho ou levar à escola.

Em casa, proponha brincadeiras mais tranquilas e que possam ser feitas pelos dois no local de descanso, como jogos de memória ou livros de colorir. Assim, o vínculo entre mãe e filho é mantido e a grávida aproveita uma companhia capaz de proporcionar carinho, calma e muito amor. O essencial para uma família que está prestes a aumentar!

O repouso na lei

Ausentar-se não é uma escolha e, sim, uma necessidade, quando o médico prescreve repouso. A mulher tem direito ao descanso remunerado, chamado de auxílio-doença, em qualquer período da gestação. O processo é simples: ela deve apresentar o atestado médico na empresa em que trabalha. Então, a companhia irá custear os primeiros 15 dias de salário durante o afastamento.

Em seguida, o contrato fica congelado e quem assume os custos é a Previdência Social. Para isso, é preciso acessar o site do órgão e agendar uma perícia em algum posto do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Um médico irá avaliar a situação e conceder o benefício, que geralmente se mantém até o início da licença-maternidade. De acordo com a advogada Dânia Fiorin Longhi, professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP), a remuneração não será integral, mas, sim, proporcional ao período de contribuição.

Quem faz esse cálculo é o INSS. Os benefícios habituais, como vale-alimentação ou refeição, geralmente ficam suspensos. A não ser que estejam previstos na convenção coletiva de trabalho, que varia de acordo com a categoria. O auxílio também vale para as autônomas, que tenham contribuído pelo menos dez meses com o INSS. A remuneração será uma média do valor recebido nos últimos 12 meses e as providências são iguais (entrar no site e marcar a perícia).

Existe a possibilidade de dar início à licença-maternidade 28 dias antes do parto. Quem determina a data é o médico da paciente. Quando esse período começa, o empregador volta a arcar com todos os custos e o salário passa a ser integral (a concessão dos benefícios também depende da convenção coletiva de cada categoria). As grávidas que trabalham por conta continuarão sob a responsabilidade da Previdência Social. Elas devem acessar o site, agendar uma data e apresentar o laudo médico, assegurando o benefício por 120 dias. No regime CLT, as companhias que aderem ao Programa Empresa Cidadã concedem 180 dias de licença.

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