Sexo no fim da gravidez: não tenha medo - Mais Abraços

Sexo no fim da gravidez: não tenha medo

Obstetra tira as dúvidas sobre o que pode ou não ser feito na cama na reta final da gestação


Por Carolina Delboni

Ao longo da gestação, são comuns as dúvidas e medos a respeito do que o casal pode ou não fazer na cama conforme a barriga e o bebê vão crescendo. Nas últimas semanas, quando ambos estão perto do tamanho máximo, a insegurança parece chegar no mesmo ponto. Para ajudar a solucionar todas essas questões, acompanhe a entrevista da ginecologista e obstetra Diana Vanni, do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo

A mulher pode ter relação sexual no fim da gravidez?

Diana Vanni: Sim, até o final, desde que não exista nenhuma situação especial. Vários estudos comprovam que, em gestações normais, a atividade sexual não provoca danos à saúde da mãe nem do bebê. Um deles, publicado pela revista The Lancet, acompanhou mais de 10 mil gestações únicas e comprovou que não houve maior incidência de parto prematuro entre pacientes que tinham atividade sexual. Portanto, em gestantes de baixo risco, a atividade sexual é livre até os últimos dias da gravidez.

Em que situações o médico pode contraindicar a relação sexual?

Em casos de placenta prévia (quando a placenta está muito baixa e o ato sexual pode provocar sangramento); de amniorexis prematura (quando a bolsa rompe antes do trabalho de parto); se há infecções; ou risco maior de parto prematuro – ainda que, nessa situação, o benefício da abstinência sexual seja controverso.

É preciso ter alguma atenção específica durante a relação?

Apenas os cuidados universais com higiene e prevenção de DST’s. Vale apenas lembrar que, com as mudanças anatômicas provocadas pela gravidez, algumas posições que são normalmente prazerosas para a mulher podem se tornar desconfortáveis.

Há risco de machucar o bebê durante a relação?

Não. O bebê não sente o impacto do pênis, nem se a mulher está na aula de ginástica ou andando de carro.

O ato sexual pode estimular o trabalho de parto precoce?

Em gestantes de baixo risco, não. Em grávidas de alto risco para parto prematuro, os dados são controversos e, por isso, em algumas situações o médico pode restringir a atividade sexual, sim.

É verdade que o esperma masculino pode liberar uma substância que estimula as contrações? Existe algum indício de que a relação pode dilatar o colo do útero nesse período?

O esperma masculino contém prostaglandinas, que poderiam, em teoria, induzir o amolecimento e dilatação do colo e provocar contrações. Mas a quantidade é insuficiente para que isso tenha algum efeito na prática. Estudos já demonstraram que o índice de bishop (medida de quanto o colo do útero está pronto para o parto, levando em consideração a altura da cabeça do bebê; a textura, a espessura, a dilatação e a posição do colo) não se altera em gestantes de termo com a relação sexual. O orgasmo feminino também pode induzir contrações uterinas, que são imperceptíveis quando o útero é pequeno, mas notáveis quando o útero é grande. Entretanto, essas contrações também são insuficientes para desencadear o trabalho de parto.

Qual seu principal conselho aos casais?

Primeiro, oriento sobre segurança do sexo em todas as fases da gravidez, desde que esteja tudo bem com a mãe e o bebê. Os tabus são muitos, principalmente se considerarmos que vivemos em uma sociedade que coloca em polos opostos a “santa mãe” e a sexualidade feminina. A mulher, muitas vezes, se sente menos desejável em seu novo corpo e o homem não acha adequado expressar seu desejo pela parceira. Por isso, tento estimular os dois a conversarem abertamente e levarem em consideração que existirão diversas fases de “desencontros” no desejo sexual do casal: gravidez (tanto para o homem quanto para a mulher!), puerpério, doenças, crises profissionais e financeiras, idade, perdas... Essas fases precisam ser encaradas com franqueza, sem os clichês habituais. Por último, tento lembrar que, ao final da gravidez, espera-se que exista um casal, mesmo que tenha havido um distanciamento por causa da diminuição da frequência das relações. Manter uma rotina sexual saudável exige abertura e empenho por parte dos dois.

especificação

ABRACE ESSA DICAÉ natural que o relacionamento sexual mude quando o casal engravida. Tanto a mulher como o homem podem ter sua libido e seu desejo diminuídos, e isso pode acontecer por inúmeros motivos – hormônios, preocupação com o futuro, ansiedade, mal-estar e até uma visão errada e assexuada da maternidade. Por isso, o melhor é conversar sempre que a situação estiver incomodando. E manter o romantismo. É preciso ser olhado, tocado, se sentir atraente.
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