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Vida de grávida: "Você vai comer isso?"

Você pode ser daquelas mulheres super-regradas quanto à alimentação, que fazem um prato bem colorido e equilibrado no self-service, tomam bastante água e dificilmente caem na tentação de comer uma barra de chocolate. Já a sua amiga pode não ser muito fã de salada, preferir refrigerante a suco e adorar um fast-food. Mas uma coisa vocês certamente terão (se já não tiveram) em comum: a gravidez será, sem dúvida, o momento em que mais vão cuidar com lupa da alimentação e da saúde de modo geral. Pode apostar!

Não raro, muitas mulheres que tentaram tantas vezes parar de fumar, por exemplo, conseguem com sucesso ao iniciar as tentativas para a concepção. Outras, até então sedentárias, tomam gosto por praticar uma atividade física que começaram na gravidez. Bons hábitos que, certamente, se estenderão para além do nascimento dos filhos.

A nutricionista Indiomara Baratto, integrante da equipe de Pré-Natal da Casa de Saúde da Mulher, do Departamento de Obstetrícia da Escola Paulista de Medicina/Unifesp, costuma dizer às pacientes que em qualquer fase da vida até podemos escolher ter uma dieta inadequada (apesar de todos os riscos já comprovados que isso envolve), mas, neste momento, em que um ser vivo depende por completo da alimentação da mãe, ele tem o direito de receber bons e saudáveis nutrientes. “Somos aquilo que comemos. Isso ganha proporções ainda maiores durante a gestação. Tudo o que a mãe ingere não só está influenciando na saúde dela, mas na formação e nutrição de um ser que está sendo gerado pelo seu próprio organismo”, defende.

O que é comer bem?

Para a grávida, isso significa fazer, ao menos, seis refeições por dia, priorizando alimentos de boa qualidade, integrais, ricos em fibras, carnes magras, peixes, frutas, verduras, legumes, leites magros e ingestão de água adequada. Além disso, é importante reduzir ao máximo o consumo de processados e industrializados, frituras e gorduras em excesso. E ficar atenta a alguns nutrientes importantes nessa fase, como ácido fólico, cálcio, cobre, iodo e ferro.

Mas, calma! Tomar todos esses cuidados não quer dizer que escorregar na dieta vez ou outra, se permitindo comer uma sobremesa naquela confeitaria que você adora, vai prejudicar você ou o bebê. O problema é quando os hábitos incorretos viram rotina, reforça Indiomara. Ainda assim, é possível que você sinta uma pontinha de culpa ao trocar o grelhado com salada pelo sanduíche.

Como se não bastasse a sua própria cobrança, inevitavelmente vai surgir um palpiteiro pronto para apontar o dedo nessa hora. Ou naquele dia de indisposição, que você não está com tanto apetite e ainda tem de escutar o clássico “deveria comer o dobro disso”. O que fazer nessa hora?

A seguir, listamos os principais palpites relacionados aos hábitos alimentares da grávida, o que dizem os especialistas e como se livrar desses comentários sem se estressar tanto assim.

1) “Esquece ser vegetariana, hein!”

Mesmo sem estar grávida, quem opta pelo vegetarianismo ouve palpites sempre. Pense na gravidez: “Vai faltar nutriente para o bebê!”, “Vai ter anemia”, e por aí vai. Segundo a nutricionista Luciana da Costa, da Maternidade Pro Matre Paulista (SP), é possível que gestantes e bebês tenham crescimento e desenvolvimento adequados, desde que a alimentação seja bem planejada. “Habitualmente, a dieta vegetariana apresenta menor percentual de gorduras saturadas e colesterol, mas devem ser monitorados alguns nutrientes, como proteínas, ferro, cálcio e vitamina D, bem como a vitamina B 12, para evitar seu déficit”, orienta. Portanto, se você é vegetariana, procure manter um acompanhamento médico em relação à alimentação e, quando ouvir o clássico “mas não pode!”, diga que quem sabe isso é o seu nutricionista e que seu bebê está muito saudável, obrigada.

2) “Melhor não comer fora de casa”

OK, comida caseira é sempre melhor e uma delícia, mas o que adianta falar isso para a gestante que trabalha fora e não tem a opção de levar marmita de casa todos os dias?

De fato, é preciso ter cuidados com a comida fora de casa, evitando alimentos crus e malpassados e molhos e cremes, pelo perigo de contaminação. Vale observar também se o ambiente está limpo, se os funcionários seguem padrões de higiene e se os pratos prontos não ficam muito tempo expostos à temperatura ambiente. Saladas cruas devem ser evitadas ou só consumidas quando você tem certeza de que foram devidamente higienizadas.

“O principal ponto a ser observado é a procedência dos alimentos crus, devido ao risco de toxoplasmose. Uma infecção na gravidez é mais grave porque pode desencadear um parto prematuro, por exemplo”, afirma Olímpio Barbosa de Moraes Filho, professor adjunto da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Pernambuco e presidente da Comissão Nacional de Pré-Natal da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Com essas precauções, você pode, sim, comer fora sem medo. Por isso, se esse tipo de comentário irritar você, procure usar o bom humor.

3) “Ah, que frescura, bebe só uma taça...”

Não há nada mais inconveniente do que estar grávida em uma festa e ter ao lado alguém insistindo para que você tome bebida alcoólica, mesmo dizendo não e não. Infelizmente, isso acontece bastante, porque muitas pessoas acreditam que só uma taça ou uma cervejinha não tem problema. Mas diversos estudos já mostraram que não há dose segura para se tomar na gestação, por isso é preciso ficar longe de qualquer quantidade de bebida alcoólica durante a gravidez e amamentação.

Segundo Indiomara Baratto, da Unifesp, o álcool acessa facilmente a placenta, ou seja, tem livre passagem até o feto. “O fígado do bebê que está em formação vai metabolizar o álcool de forma muito mais lenta que a mãe. Assim, a substância fica mais tempo no organismo dele, e isso pode ocasionar problemas de comportamento futuro, como hiperatividade e déficit de atenção”, diz.

A mais grave consequência é a Síndrome Fetal Alcoólica (SFA), que pode levar a criança a apresentar anormalidades faciais, déficit intelectual, problemas cognitivos e intelectuais. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que de 0,5 a 2 em cada 100 nascidos vivos apresentam a síndrome. Ou seja, zero negociação com essa intromissão na gravidez e peça que não insistam mais.

4) “Pode incluir peixe aí no prato”

Sim, essa proteína de fato faz bem. Mas como se sente uma mulher que detesta frutos do mar ao ouvir um comentário imperativo como esse? Não é por não comer peixes que a gestação será prejudicada. Eles são boas fontes de ômega 3, mas podem ser substituídos por linhaça, por exemplo, ou, ainda, a gestante pode fazer uso de cápsulas específicas se o médico achar necessário.

“A suplementação de ômega 3, especialmente a partir da 32ª semana, ajuda a melhorar a formação da parte cognitiva e intelectual do bebê”, ressalta Luciana da Costa. Mais uma vez, agradeça a preocupação de quem falou da ausência do peixe no seu prato, mas diga que seu obstetra já a orientou sobre como substituí-lo ou complementar esse nutriente.

5) “Vai tomar esse café mesmo?”

Basta a grávida pegar uma xícara para se sentir alvo. Todo esse falatório até tem fundamento, considerando o excesso. Isso porque refrigerantes à base de cola, cafés, alguns chás, chocolates, certos tipos de guaranás e medicamentos têm cafeína em sua formulação, um estimulante que atravessa a placenta, aumenta o ritmo cardíaco, acelera o metabolismo, e, sem moderação, pode causar parto prematuro, aborto espontâneo e baixo peso no bebê.

Porém, não é totalmente proibido na gravidez. Segundo a OMS, o consumo de cafeína deve ser abaixo de 300 mg por dia. Ou seja, três xícaras de 50 ml de café expresso ou duas xícaras de 200 ml de café coado. “Vale trocar o café convencional por descafeinado e optar pelos chás naturais, livres de cafeína, como os de frutas. É preciso moderação”, diz Indiomara. Mediante uma cara feia para o seu cafezinho, explique que há uma quantidade segura, que você já está controlando as doses e que ele não precisa se preocupar com isso.

6) Vai comer só isso? Aproveita que está grávida...

Quem nunca ouviu o clássico “agora tem que comer por dois”? Esse é um dos grandes mitos da gravidez, já que não há necessidade real de dobrar a quantidade de comida. “A verdade é que a gestante precisa de um aporte calórico a mais só a partir do segundo trimestre (13ª semana). Ainda assim, cerca de 300 calorias extras já são suficientes para garantir o crescimento do bebê, lembrando, claro, que o consumo calórico é individual para cada mulher e requer acompanhamento individualizado”, afirma a nutricionista Larissa Marconi Branco, da Estima Nutrição (SP).

Está fazendo seu pré-natal à risca? Então, quando alguém disser que você precisa comer a mais, responda que esse é um pensamento antigo e que a saúde do seu filho depende da qualidade do que você come, e não da quantidade.

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